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Dêmonio as avessas.

Sempre existiu um demônio aqui, Confuso, assustado e reprimido. Com medo de ser quem deveria ser. Com medo de se arrepender. Um demônio as avessas Ama flores, crianças e brincadeiras. Salva animais, ajuda idosos. Faz pela beleza Expulso do inferno, Por falta de frieza, Não seria capaz De espalhar a tristeza.

Crianças rebeldes

E se todas as crianças desobedecerem, E repentinamente nao quiserem crescer? Nao aspirarem aos teus carros e cargos, Ternos, gravatas e sapatos? E se elas nao quiserem brincar de correr, Brincar de brigar, de bola, de pega e de ganhar? E se as crianças rebeldes em campos de grama nao rirem dos mais fracos,  Nem acharem graça em tombos e machucados,  Não divertirem-se com a desgraça alheia? Que tipo de punição, você como severo, sábio e conservador PAI, ira empregar?

Mais um velho demonio indesejado

E quando novamente se sente indesejado em um grupo de pessoas q nem sabe porque quer se juntar? Qual desejo maldito deveria surgir e imergir junto com as lagrimas que disfarça pra nao ser descoberto e subjugado novamente e nem correr o risco da humilhação? Nao eh daqui - eles dizem calados Nao devia estar aqui - olham calados Nao sabe como se portar dentre estes - pensam calados Fuja, vá, desapareça, corra ate q seus sapatos nao tenham mais solas e quando olhar para traz saberá q ainda nao achou o seu lugar. 

Novembro nos bate à porta.

Novembro nos bate à porta Predizendo Dezembro As festas, as comidas e as bebidas. Novembro já nos bate à porta Simulando as ruas úmidas de Dezembro As luzes amarelas, os feriados e as Férias. Novembro que vem, Antecipa Dezembro, Esse sim, festivo, tumultuado. Calor, chuva, aniversario. Mas ainda é Novembro, Apenas Novembro.

Quais sinos irão soar?

Sei que não é algo a se pensar Mas sabemos ser impossível de evitar Como enfim será? Com que passos, vou caminhar? Pelas estradas escuras que ei de encontrar? Que musica vou escutar? Vou me lembrar de quem, por quê? Será que ouvirei as canções de infância, De adolescência, De desadolescencia, De adulto ou de falência? "Graças ao poder da música, caminharemos felizes pela noite sombria da morte"                                                                        (A Flauta Mágica, ato II, cena 28)

EM BUSCA DO PRÓXIMO PÃO

Em frente ao espelho O palhaço que se pinta de feliz. Triste, Enxuga uma lagrima com sensatez, Pra não borrar a maquiagem que fez. Sorri, Apertando os olhos e mostrando os dentes Emoldurados pela boca vermelha, pintada. Ao fim dos malabares no ar, Esperança no olhar esperando brotar, De dentro de carros cegos, braços a levantar, Um tostão qualquer pra ajudar a pagar, A faculdade, os livros, o terno, o vestido, O almoço, um café, um cigarro, um chalé, A maquiagem, o aluguel, os doces, o bordel. O desprezo, o ego,  O sujeito que se sujeita deste jeito.

APARTA-TE DE MIM PERFEIÇÃO

Quanto mais me aprofundo em minha música, Mais imperfeita ela se torna E quão mais me entrego a ela, Ainda mais me afasto do perfeito e do melhor. Quanto menos melhor eu tento parecer, Mais músicalmente satisfeito me sinto.

Mergulho.

Não entendo, Esta piscina de Bílis negra na qual De um salto me atiro. E quase me afogo, E que é tão difícil de sair. Mas é reconfortante E tranquilo quando não vejo nada E nada pode me ferir. Mesmo que o nada queira me engolir. E quase me afogo, E é tão difícil resistir. Para enfim sair, Enxugar e me lavar Do resto de Bílis Que, insiste em ficar E quase me afogo, E que é tão difícil de sair. E quase me afogo, E é tão difícil resistir.

Desabafo de um guerrilheiro aposentado.

No guarda-roupa estão as armas Carregadas, preparadas e ansiosas. São feitas em madeira nobre A tecnologia eletrônica é a mais precisa. A mira é questão de pratica, fé e coragem. Só precisa de três dedos da direita e dois na esquerda Um coração pulsante e uma mente verdadeira Um motivo e uma voz guerrilheira. Cada munição sobre o papel Saindo da ponta da caneta Penso no som dos disparos Quando coloco sobre eles o meu fardo Não é vitória o que quero Não estou em busca de gloria União, força e coletividade. É essa minha reforma.

SE AO MENOS ME CITASSE

Multidão imensa a te circundar Mancha de café na beira da camisa O cheiro se torna insuportável Sentir vontade de chorar Querer ser especial a algum olhar. Não, o querer ser amado Mas, o querer ser respeitado. Esperança de ser lido Por aquele que admiro Probabilidade alguma. Certeza alguma Esforço algum.

Faça mais barulho!

Não pode parar Cuidado com o par de barras paralelas Opte sempre pelo triangulo isósceles. O quadrado, nem pensar. Cuidado, desmotiva, Desacelera e acomoda. Um sábio escreveu. Faça mais barulho, Faça sua raiva Derrubar os muros. 

E NÓS OS ADULTOS?

Nós os adultos, Acreditamos saber O que se passa hoje no mundo. Mas não sabemos, Estamos cegos e anestesiados pela Decepção da desilusão de nossa “desadolescencia”. A nova geração, Eles sim sabem, Sabem dos problemas e da solução. Ainda estão vivos, As cataratas da falta de recursos Ainda não cobriram seus olhos, O vento da responsabilidade Ainda não apagou suas chamas de coragem. Ao contrario do que Nos os adultos pensamos, Eles não criaram para si Um forte que lhes protegesse Da realidade e da verdade do mundo. Criaram para si armaduras Para enfrentar de frente a falsidade. E nós os adultos, Ocupados em buscar recursos, Em criar em nós coragem, Em fugir da violenta verdade e Usando como escudo a falsidade, Não temos tempo para saber O que acontece no mundo.

O que sera de seus filhos?

Um tolo gesto de confiança, Sempre precede uma traição. Um tolo gesto de confiança, Sempre precede uma tentativa de humilhação. Mas qual valor, Agrega a vossa índole, Tão baixo comportamento? Quão bom  é pra si, A traição e a humilhação alheia? O que contará a seus filhos E como capaz de impedir que Sua prole o traia, que Sua amada prole lhe faça de humilhado? Como impedir que Por ganância, Seu tolo gesto de confiança, Não preceda, Seus miolos espalhados sobre o travesseiro Em função dos golpes febris de um filho traiçoeiro?

Quem me dera, julgado como Soneto.

Ah,   quanta doçura eu vejo Nas suas palavras sujas E tremulas de medo. Ah,   quanta esperança Jogada a guia das calçadas Para seguir junto a restos de ratos Rumo aos bueiros. Ah,   quanta negligência Ao carregar nos ombros, Ferido de guerra, o velho parceiro. Ah,   todo esse sangue, Que alimentaria mil demônios E molharia de dez mil vampiros os beijos. Ah,   todo esse café, Essa poesia, Esse tormento. Ah,   quem me dera julgado como Soneto.

QUAL MIL TAMBORES

A necessidade  De expressao do odio, Se faz constante e intensa. Quando as opnioes divergem, As cordas vocais Afinan-se e alteiam, A caixa do peito estufa E infla os pulmoes com ar. Enfim explode, rompe Em trovoadas Qual mil tambores. É o grito do insulto e do medo, Qual mil tambores Do pavor e do desespero. Qual mil tambores E assim as agonias se vao. Qual mil tambores.

Inspiração Marginal.

Hoje cago pouco, Porque como pouco. Antes, Comia muito e, Não cagava nada.

CORREEEEIOssss

O Clã, A Caravana, A Marcha funebre, Prossegue. Trazendo e levando, (Como um serviço caro que Faz com que seja bem prestado Pelos "Correios")  Tristezas e alegrias. E enquanto segue O coadjuvante aprecia, Anota, Avalia, Pondera, Soma, Divide e chega a conclusão Sócrates tinha razão. "Quero que saia, estas a bloquear os meus raios de Sol."

Essa vai assim, sem diagramação e sem correção, só pressão.

A tristeza sempre foi minha maquina de fazer poesia, Esculpida num bloco de argila, Umedecida com lagrimas sofridas, Me desculpa se não vejo beleza mas é que o que te soa belo pra mim é triseza. É funebre, luzes baixas e calmas, as cores das flores da coroa sao iguais as da sacada de casa. O brilho de um raio de sol Refletido na gota de orvalho é igual A luz da capela na lagrima daquela q chora sofrida Naquele triste momento de despedida. Mira, o caminhar da bonita Nos cabelos da pra perceber a brisa da tarde enquanto segue pela avenida, Mas o olhar se desvia e é a mendiga de vinte e poucos e, tantos anos, acariando a barriga cheia com uma nova vida. Ela tambem queria estar la, nas passarelas igual a bonita q acabou de passar. Deu pra enteder porque é que eu digo que ver a beleza pra mim as vezes é castigo.

Criando e Experimentando

De todos os “ Sadopoemas ” que escrevi Talvez o mais lastimoso Foi o de cortar os braços. Foi fingir não sentir dor. De todas as “ Pseudolágrimas ” que derramei Talvez as mais furtivas, De quando nasci. Foram as mais pérfidas. De todos os “ Desadolescentes ” que conheci Talvez, exceptualmente alguns, Os mais queridos. Fui um dos únicos, sobrevivi.

CANSADO

Sinto-me cansado, Mas não é cansaço físico Nem mental, nem intelectual E muito menos anal. É cansaço do âmago. Cansaço de estomago De intestino que não funciona  E por isso o ânus,  Cansa de esperar. Cansado de olhar a mesma coisa o dia todo. Mesma cor, mesma fonte, Mesma diagramação, Mesma exatidão. Exatas do meu saco. Intelecto enfraquecido pelo excesso de rotina. IF {rotina  > criatividade} Else response: “meu saco explode”