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Desabafo de um guerrilheiro aposentado.

No guarda-roupa estão as armas Carregadas, preparadas e ansiosas. São feitas em madeira nobre A tecnologia eletrônica é a mais precisa. A mira é questão de pratica, fé e coragem. Só precisa de três dedos da direita e dois na esquerda Um coração pulsante e uma mente verdadeira Um motivo e uma voz guerrilheira. Cada munição sobre o papel Saindo da ponta da caneta Penso no som dos disparos Quando coloco sobre eles o meu fardo Não é vitória o que quero Não estou em busca de gloria União, força e coletividade. É essa minha reforma.

SE AO MENOS ME CITASSE

Multidão imensa a te circundar Mancha de café na beira da camisa O cheiro se torna insuportável Sentir vontade de chorar Querer ser especial a algum olhar. Não, o querer ser amado Mas, o querer ser respeitado. Esperança de ser lido Por aquele que admiro Probabilidade alguma. Certeza alguma Esforço algum.

Faça mais barulho!

Não pode parar Cuidado com o par de barras paralelas Opte sempre pelo triangulo isósceles. O quadrado, nem pensar. Cuidado, desmotiva, Desacelera e acomoda. Um sábio escreveu. Faça mais barulho, Faça sua raiva Derrubar os muros. 

E NÓS OS ADULTOS?

Nós os adultos, Acreditamos saber O que se passa hoje no mundo. Mas não sabemos, Estamos cegos e anestesiados pela Decepção da desilusão de nossa “desadolescencia”. A nova geração, Eles sim sabem, Sabem dos problemas e da solução. Ainda estão vivos, As cataratas da falta de recursos Ainda não cobriram seus olhos, O vento da responsabilidade Ainda não apagou suas chamas de coragem. Ao contrario do que Nos os adultos pensamos, Eles não criaram para si Um forte que lhes protegesse Da realidade e da verdade do mundo. Criaram para si armaduras Para enfrentar de frente a falsidade. E nós os adultos, Ocupados em buscar recursos, Em criar em nós coragem, Em fugir da violenta verdade e Usando como escudo a falsidade, Não temos tempo para saber O que acontece no mundo.

O que sera de seus filhos?

Um tolo gesto de confiança, Sempre precede uma traição. Um tolo gesto de confiança, Sempre precede uma tentativa de humilhação. Mas qual valor, Agrega a vossa índole, Tão baixo comportamento? Quão bom  é pra si, A traição e a humilhação alheia? O que contará a seus filhos E como capaz de impedir que Sua prole o traia, que Sua amada prole lhe faça de humilhado? Como impedir que Por ganância, Seu tolo gesto de confiança, Não preceda, Seus miolos espalhados sobre o travesseiro Em função dos golpes febris de um filho traiçoeiro?

Quem me dera, julgado como Soneto.

Ah,   quanta doçura eu vejo Nas suas palavras sujas E tremulas de medo. Ah,   quanta esperança Jogada a guia das calçadas Para seguir junto a restos de ratos Rumo aos bueiros. Ah,   quanta negligência Ao carregar nos ombros, Ferido de guerra, o velho parceiro. Ah,   todo esse sangue, Que alimentaria mil demônios E molharia de dez mil vampiros os beijos. Ah,   todo esse café, Essa poesia, Esse tormento. Ah,   quem me dera julgado como Soneto.

QUAL MIL TAMBORES

A necessidade  De expressao do odio, Se faz constante e intensa. Quando as opnioes divergem, As cordas vocais Afinan-se e alteiam, A caixa do peito estufa E infla os pulmoes com ar. Enfim explode, rompe Em trovoadas Qual mil tambores. É o grito do insulto e do medo, Qual mil tambores Do pavor e do desespero. Qual mil tambores E assim as agonias se vao. Qual mil tambores.